Uma camisa. Vivianne se veste com a camisa que ele usará. Ele a olha. Tirem as crianças da sala. Uma sandália, salto alto; a camisa branca dele, com alguns botões inferiores fechados, uma calcinha branca, os cabelos soltos e só. Ele vai até a gaveta, pega o relógio que ganhou dela como presente de noivado. Coloca o relógio. Um relógio esportivo com pulseira de borracha, inadequado ao uso com camisa e terno e gravata. Ele se aproxima de um modo delicado, abre os botões da camisa, e faz com que ela veja o relógio que ele está usando. Black Sabbath, "Iron Man".
Pulseira de couro. Nestas ocasiões, couro ou metal. A elite tem seus códigos, é preciso conhecê-los e aplicá-los sem deixar de ser quem você é. Roberto Carlos, "Os botões da blusa". Ele olha no relógio, "Não posso me atrasar". Ele veste a camisa e termina de se vestir. Homem se arruma rápido. Ajusta o nó da gravata, coloca o paletó do terno em um cabide para levá"lo na RAM 3500, naquele ganchinho que tem no puta-que-pariu. "Alça do passageiro". Dobra as mangas da camisa com três voltas; este era o estilo de trabalho formal dele. Arregaçar as mangas e colocar a mão no trabalho. Enquanto todos chegam arrumados, ele chega com o paletó no braço, e antes de entrar no evento, ele desdobra as mangas da camisa, veste o paletó, fecha dois dos três botões, deixando o último botão aberto, e se olha no vidro para ajustar o visual. Relógio, cinto, óculos escuros, uma caneta no bolso, aliança e só, é o que convém a um homem raiz. Um prendedor de gravatas, abotoaduras em ocasiões mais formais. Vivaldi, "As Quatro Estações; Inverno". Susann participaria do evento, e Vivianne sabia. Uma Vivianne sozinha anda pela casa. Vestiu um vestidinho. Descalça. "Tudo o que vai", Capital Inicial.
Frank vê Susann e vai até ela; instintivo. Se você soubesse o que é uma mulher sozinha nesse meio. Frank se posiciona ao lado dela. Ela se sente segura. Mas sabe, há regras a respeitar e um espírito elevado a manter. Frank mantém o tom de um relacionamento profissional. Carpenters, "Close to You". São escorts um do outro. O homem que acompanha a mulher em um evento, e a mulher a acompanhar um homem. Não é o eufemismo "Escort", porque isso aimplica em acompanhar e. Tem um depois. "Escort" é job. Que sentido faz contratar uma mulher para acompanhar a um evento se você pode convidar. "Gostaria de ser minha Escort?". Sentam-se à mesma mesa, conversam, cumprimentam pessoas; surge aquela tensão, "Será que são um casal?".
"Não se adiante, Vivianne, porque não me adiantarei". "Vá, antes que se atrase". Frank chega a eventos à hora marcada. À hora marcada, ele está lá. Susann chega sempre um pouco antes. Os caras assediam, fazem gracinhas, competem entre eles, sempre que há uma mulher muito bonita nestes locais. Um homem se aproxima de Frank e Sussan e pergunta "Ela está com você?". Frank olha o relógio de modo a mostrar o relógio e diz "Não poderia dizer que sim". O cara vai embora, não houve o competidor para motivar a competir. "É um presente que recebi de Vivianne quando de nosso noivado". Susann entendeu, "É uma lembrança dela". Susann recua. Não se expõe a ninguém e elevação o tom para extremamente formal e protocolar. O que significa "Estou fechada para todo mundo".
Esses eventos são todos iguais. Rogério Skylab, "Empadinha de camarão". Vídeos para emocionar, glorificação de conquistas, destaques, premiações, tudo é perfeito, os resultados são sempre maravilhosos, a gestão é muito foda, os desafios para o novo ciclo são desafiantes, os gestores louvam os altos gestores, que louvam ao dinheiro, o verdadeiro dono da festa. Movimentado, mas tedioso. Tudo muito grandiloquente, tudo é imagem do sucesso, tudo muito ao gosto de castas medianas, o que para uma mulher como Susann é ruído. Há algo de imperfeito e decaído nisso tudo. Frank está lá pelo trabalho. Susann se mostra entediada e lança sutis convites para interagir com Frank. Frank não se solta, mas parece transparecer que a crise no casamento se aprofundou. Susann sabe ler, e ao invés de colocar-se em competição, se fecha e dá garantias para ele. Garantias mútuas; algo começa a ser alinhavado. Termina o evento, se despedem, e ele a acompanha, ele no carro dele e ela no carro dela, até a casa dela; ele não para, acena para ela e vai embora. Whitney Houston, "I have nothing". Susann pensa "Subi um degrau". A paixão é um caminho temporário, que pode ser doloroso e destrutivo ao longo ou ao final, ou que pode ser uma primeira revolução para uma segunda revolução do vínculo. Ele está impedido, porém não posso permitir que o espaço próximo dele esteja vago, porque há as invasoras". Dá vazão ao desejo pelo marido da próxima para trazer o desejo ao consciente, onde ela o controla; essas coisas não são explícitas, são sugeridas. Ela gosta de sentar-se à mesa para escrever. Ela não tem um diário, tem uma agenda. "Não. Tudo o que você envia sob pressão para o inconsciente e fecha a tampa, voltará de modo mais forte. Por que negar a verdade? Que é a verdade? Qual a verdade? A verdade é que não. Eu não o amor. Eu o amo, porém há limites. É um caminho para um amor? 'Se me for perguntado, já não sei; se não me perguntarem, eu sei.' Então é isso que eu sei. Será que Deus não sabe que é isso que eu sei se eu não colocar isso em uma palavra? Diante de Deus, é isso. Verdade é o que é verdade diante de Deus. Eu caminho para o amor, e só sei que nada sei. Se; e somente se. Se, então; senão. É uma decisão lógica, só o amarei se ela assim me permitir. Então ela não poderá me proibir". No evento, um desconhecido cumprimenta Susann como se fossem íntimos. "Oi, Susann". https://youtu.be/J_J8EeEG5C8?is=ePLe70vDDCP3WAzZ . Ela se impõe, não agredindo, ou atacando, e sim sendo assertiva no limite do espaço dela. "Sra. Hoffmann". "Quê isso, Susann?". Ela é firme. "Por favor, Sra. Hoffmann". Frank diz "Sra. Hoffmann. Prazer, Frank Corleone". Um bote mal dado, um ataque falho, dissimula e vai para a próxima. É assim nesses lugares. Não vá embora", Marisa Monte. Algo despertou algo nela. Esse algo nela estava em um prato da balança. O peso para enviar ao inconsciente sob pressão e fechar a tampa só aumentará o peso desse prato. Roxette, "Fading like a flower". Enquanto escreve, ela se toca. E toca. A recíproca não é verdadeira; Frank se esforça para buscar a referência em Vivianne. E deseja Vivianne contra esse desejo, por esse esforço vencendo o desejo. Pelo menos por enquanto. Ela se refaz, e escreve "Retomei meu equilíbrio. Esse desequilíbrio não será um problema.". Ela se descontrola se controlando e não perde o controle. É como abrir a válvula de segurança de uma caldeira quando a pressão no interior da caldeira excede os parâmetros operacionais de normalidade e segurança operacionais. O vapor de um banho; um sopro contido de vapor. Roxette, "Joyride". "O sentimento do artista é sua lei, porém não sua única lei". Prevalece o "não". Isso não é motivo de conflito para ela; é a força da mente de Susann. "Não, não o amor. Ainda. Talvez nunca. Talvez para sempre. Não sei. As palavras são essas, não preciso explicar, só não está sintetizado em uma palavra ou curta expressão".
Vamos falar disso? Não é o fim do mundo. Não disse que é legal. Mas não é o fim do mundo. Nem que é bonito, que é agradável. Quando se vive rodeado de sensualidade e sexo por todo lado, quando são normais jogos sensuais e competição sexual, diria haver circunstâncias em que talvez seria aceitável. Susann Hoffmann, Mozart e Roxette. Bem européia. "Spending my time". Kid Abelha, "Maio".
Ela não vê Vivianne como uma competidora, vê como protagonista de uma história que caminha ao fim. O palco ainda é dela. Susann é uma mulher justa. "Eu poderia olhar nos olhos da esposa dele e dizer que não fiz nada de errado". Sente-se triste por Vivianne. Decide que não deixará de ser justa. Susann tem uma visão de longo prazo. Espera ganhar uma amiga no futuro. Neste momento, estão equilibrados os pratos de Vivianne e Susann; Frank coloca o fiel da balança no prato de Vivianne. Susann acha isso bonito, porque sabe se colocar no lugar de destinatária dessa virtude. Ao invés de ciúmes, que no plural é irracional, escolhe focar na percepção da virtude de Frank. Ela não quer que se separem, mas agora parece esperar que sim. "O caminho se faz enquanto se caminha".
Frank chega em casa, vê Vivianne assistindo TV na sala. Faz um carinho nela e vai para o quarto. Troca de roupa e vem para a sala. Senta-se na poltrona e começa a assistir TV com ela. https://youtu.be/8bl27iP0wGc?feature=shared . Ela o convida para sentar-se no sofá com ela e se deita no colo dele. Ele acaricia os cabelos dela.
Odi et amo;
"Quare id faciam" fortasse requiris.
"Nescio".
Sed fieri sentio et excrucior.
Odeio e amo. Por que faço isso, talvez perguntes? Não sei, mas sinto que acontece e sofro terrivelmente.
Catulo, "Carme 85".
Ela parece ter aceitado. Ela parece não ter aceitado. Ela aceita e não aceita. Aceita por causa do dogma, não aceita por causa dela. Frank se assusta ao ver que ela se mostra como um abismo aberto. Ela não quer brigar. E quer matá-lo. Ela diz, "Você não me deu motivo; você é justo". Frank então a ampara. Ela mergulha nele, para em seguida emergir para o dogma. E assim será até a escolha definitiva no momento decisivo.
Susann tem um estilo sóbrio glamourosa nobre alemã. Susann entendeu, "Eles ainda têm uma chance e eu não posso estragar isso; não que eu não queira estragar isso". Diferentemente de nós homens, elas não são ávidas assim para matar a irmã. Sem maldade, sem sacanagem, Vivi pensa de Susann, "Se eu não fosse eu mesma, queria ser ela". A recíproca é verdadeira. Por que tudo tem que ser sexo? Legião Urbana, "O descobrimento do Brasil".
"Ela é inteligente", pensa Susann. Se Susann se aproximasse de Frank, perceberia o perfume de Vivianne nele. https://youtube.com/shorts/QRtXesNRZVI?is=8cpouBjlgTXi2ivx . Vivianne gosta de perfumes florais doces, sem contudo serem enjoativos. Perfume de mulher. Frank usa perfume masculino cítrico e amadeirado. O segredo não está no perfume, e sim na interação entre perfume e Pelé. Nirvana, "Smells like teen spirit".
Susann se sente feliz. "Emoções", Roberto Carlos. É como se ela soubesse que uma felicidade aguarda por ela no futuro, só não sabia ainda a forma desta felicidade. "Eu não preciso saber de tudo; por ora, bastam as flores que colho nos momentos do caminho". Vivianne tinha uma beleza espontânea que escapava. E uma graça incontenível; parecia uma menina. Tornou-se sim um pouco mais sóbria. Mas, se você controla de um lado, escapa de outro; o melhor a fazer não é controlar, é dar direção, disciplinar, não que disciplinar signifique agredir e punir; e Vivianne vinha se saindo muito bem nisso. Uma inteligência viva e aguda, aquela beleza que, igual ela, só tem ela. "Minha esposa me ensinou o que é uma mulher gostosa". Celine Dion, "Because you loved me, remix".
Frank fala sobre a escolha do relógio que usou no evento. Vivianne disse, "Eu sabia, mas não quis ver". "Amo". Evanescence, "Bring me to life". Ódio. Bonnie Tyler, "Total eclipse of The Heart". O detalhe do relógio. Vivianne veste a mesma camisa que Frank usou; não percebe outro perfume além dos de Frank e Vivianne. Tirem as crianças da sala. Desta vez, a camisa está aberta. Os cabelos, levemente presos. Só a camisa e um par de sandálias de tiras que sobem até a panturrilha, glamourosas, salto alto. Ela atirou no que viu e acertou no que não viu. "Você gosta?", pergunta ela. Ele pede que ela dispa a camisa. Despir. Despir-se. Ele diz que acha lindo o modo como as sandálias se refletem na expressão dela; é como se fosse um sinal de um limite à natureza, de uma elevação acima da natureza. Não, não é coisa de podólatra. Camisa de Vênus, "O ponteiro tá subindo".
"Ode to my Family", Cranberries. Perdoem-me, é o sobrenome "Rodrigues". O problema é que vocês não reconhecem que também são pecadores; no máximo, que não são perfeitos; afinal, santos-e-humanos filhos da Terra e do Céu". Pecadores que jogam todo o pecado sobre o outro para serem Santos de si mesmos e, oferecendo o outro, salvarem a si mesmos. Eu sou pervertido e vós sois sepulcros caiados. A primeira revolução é trazer as coisas, do ponto que estão, mais à direita, Nelson. Se todos os pecadores se assumissem pecadores, nã teríamos escribas e fariseus, hipócritas. A pior acusação é sempre a hipocrisia, aos quais reservado está do Inferno o ínfimo piso. "Eu Sou O Que Sou". Sei á, a linguagem hebraica é complexa, não tem primeira pessoa lá, não vou ficar discutindo isso. A estrutura do significante é "Em primeira pessoa, Deus. É O Que É, ago liga 'Deus' a "É O Que É". Entendeu? Nada mais pé-no-saco do que hipócrita de linguagem sagrada. Enya, "Deora Ar Mo Chroí".
O detalhe do perfume de Vivianne na camisa de Frank. Morissette, "Head over feet". Minha questão é com os Ascetas.
Vivianne bate a porta. Frank está de saída. Em seguida ela abre a porta. E grita, "oteria da Babilônia", Raul Seixas. "Você move a pedra branca; se mover a pedra branca, haverá um movimento da pedra preta, OK?". Shania Twain, "Man, I fell like a woman". "The game of love", Santana. Inconscientemente, Vivianne pede que ele vá na moto dela. O detalhe de ele ter ido com a aliança na mão esquerda e na moto de Vivi. Frank assente e segue. Não, porque se acontecer, é uma decisão definitiva. "Ou vem para ficar ou nem precisa vir". Susann encosta a porta. O detalhe da porta entreaberta. Susann chora de alegria, "Sou uma vencedora, qualquer que seja o resultado. Convida três amigas para sua casa. Die Happy, "No tomorrow". E Frank volta para casa. Aerosmith, "Pink"; no momento oportuno, ela entende que chegou o momento de colocar esta carta na mesa, Anne Hooper's Kama Sutra", a posição "Aquele que permanece em casa". O 7 de Copas. O dedo no botão da bomba. MC Panjabi, "Jogi".
Os termos estão claros; Hook decide iniciar a guerra. O normal é que primeiro se tenha de que acusar o outro de começar a guerra antes de iniciar a guerra. Hook sente que pode vencer se atacar agora; depois se elabora a justificativa, qualquer coisa que Frank tenha feito que seja suficientemente ofensiva. O vulgo se guia por aparências e resultados. É o momento decisivo. E, no momento decisivo, Vivianne será "Vitoriosa", Ivan Lins. Susann conhece um homem, Oklahoma, e algo diz a ela para não descartá-lo. Motorhead, "Ace of Spades". Susann tem duas cartas na mão, e sacrifica Frank. Shania Twain, "Don't be stupid". Um Audi A8 bem usado, placas de Oklahoma, funcionário de nível médio na sede do Love's. Ele leva a irmã ate a casa de Susann, e ao chegar lá, desce do carro, se apóia na porta do motorista e dá instruções à irmã, "Não bebe, não volta tarde, não se embucha de ninguém, fica do lado do bem, atitude, amor e respeito também". Susann observa da porta de casa Engenheiros do Havaí, "Dom Quixote". Recebe a amiga, a cumprimenta; enquanto isso, Tom vai embora. "Quem é o Cavalheiro do A8?". "Cavalheiro? Isso aí é Tom, meu irmão, o solteirão da família que me trata como se eu tivesse 17 anos". "Me pareceu um cavalheiro; sei quando vejo um". "Você vê o que ninguém vê". A amiga a convida para almoçar no outro dia com a família dela, pois o irmão está na cidade para visitar os pais. Susann aceita, e chama um Uber para levá-la até lá. Uma família numerosa, simples e acolhedora, Susann, uma Lady, se sente em casa, embora não saiba muito não ser formal e protocolar quase que o tempo todo; educam-nas para isso. Sempre tem o tiozão, "Trouxeram uma Lady inglesa para almoçar conosco". "Alemã". Tom olha para o tiozão e fala, "Porém uma Lady". Raízes em antigos nobres alemães. "Nobreza é caráter de espírito", fala Susann, e olha para uma criança. É aquele tipo de mulher que não se demora. Pergunta para a amiga, de modo a perguntar de maneira indireta para Tom, se o irmão dela poderia levá-la a casa. Ele pega as chaves do carro, abre a porta da casa para ela, e convida sinalizando, "Vamos?". Susann se despede e vai. Estacionado em frente à casa está o A8 preto. Ele abre a porta do passageiro traseira direita para ela, "Por favor, não repare na carruagem". Ela se sente lisonjeada; educadamente fecha a porta do passageiro traseira, abre a porta do passageiro dianteira. Entra e se senta no banco do passageiro dianteiro. "Posso reparar no Cavaleiro?". Ele é tímido. "Por favor, moça, não diga isso". "Obrigada pelo 'Moça'. "De nada, mocinha.". 50+. Shania Twain, "You win my love"; Susann é detalhista; observa o detalhe do interior limpo e bem cuidado. Ele percebe, e diz a ela

Nenhum comentário:
Postar um comentário