Até bonita, mas suja de barro. O motorista é um homem que se veste de modo simples e anda meio largado, com barba meio por fazer. Um corretor de imóveis do plantão vê e se adianta, indo até ele. Mal acabou de descer da caminhonete, o motorista houve "Senhor, aqui é alto padrão. O motorista pergunta "O que é alto padrão?". "Empreendimentos caros e exclusivos para pessoas que têm dinheiro". "E". O Senhor não pode estacionar aqui. "Posso sim, vim conhecer o empreendimento". "O Senhor não entendeu, deixe-me explicar para o Senhor entender, os clientes aqui são requintados, não é seu mundo, é para quem tem muito dinheiro". "Tudo bem". O motorista pergunta o nome do corretor, que responde em tom arrogante, "Gallardo"; e entra na caminhonete, dá partida e vai embora.
No outro dia, estaciona uma Mercedes-Benz C200 preta.
Dirigida por um homem de terno Armani e gravata Kenzo, óculos Ray-Ban e um Rolex no pulso. Um jeitão rústico, um vocabulário não muito elaborado, porém ponteado com algumas palavras de maior sofisticação. Um cara que até aprendeu bastante, mas que não aprendeu mais quase nada a partir de um certo ponto; não aprende nada, não esquece nada. O Tuco Salamanca Argentino vai até a recepção. "Bom dia; por favor, o Sr. Gallardo. O pessoal no Stand estava ouriçado, mas, se falar o nome de um corretor, é este que atende. O corretor o cumprimenta, pergunta o nome dele e começa a apresentar o empreendimento. O Tuco Salamanca Argentino está de óculos escuros o tempo todo. Ouve atentamente e conversa com o corretor sobre o bairro. "Estou construindo uma casa aqui, para vender, e quero avaliar o empreendimento como investimento.". A conversa prossegue. Ele fala pouco. O corretor cresce os olhos no possível negócio da casa e é convidado a conheceê-la. Sabe aquela impressão de que "Já vi esse cara?". A maioria não se lembra nem do que almoçou ontem. O Tuco Salamanca Argentino cortou os cabelos, fez a barba, aparou as costeletas, parecia outra pessoa. E vão até a casa em construção. Entram na obra, que está vazia, exceto por um segurança. O corretor fala o tempo todo. O Tuco Salamanca Argentino pega um pedaço de caibro como se fosse um cajado, para andar na obra. Apóia as duas mãos no caibro. Constatou observando que o corretor não estava armado. Tira os óculos. O corretor se assusta, "Conheço o Senhor?". Nos falamos ontem. Um jovem de uns 30 anos, estilo yuppie farialimer, são todos muito parecidos. "O Sr. me desculpe, não o reconheci". Estou aqui pelo empreendimento, não por você. "Desculpe-me por ontem". Tudo bem, vamos começar de novo. Sr. Gallardo, bienvenido a Puerto Madera, hijo de perra. Yo sou lá mesma persona, caralho. E bate com o caibro nele por 3 vezes; nem bateu tão forte. O corretor cai no chão, ele o chuta uma vez. "Dinheiro rural'. Saca uma quadrada e chama o segurança. "Agora, iremos te levar para um lugar afastado. "Não me mata", diz o corretor, assustado. Não, não iremos te matar. Te deixaremos lá. O Tuco Salamanca Argentino joga uma nota de 100 dólares no chão. "Volta para casa e esquece isso, e não diga a ninguém. Nunca mais faça isso; da próxima vez não serei tão generoso.". Tião Carreiro e Pardinho, "Rei do Gado". Não precisa estar no nome desses caras para eles serem donos; "Muchas garantías"; não romantize nem idealize, é Cartel.
No outro dia, Gallardo aparece no Stand todo roxo. "O que aconteceu?". Um desentimento com um antigo cliente, já passou. "Mas o que houve?". Já passou, esquece. Depois é que Gallardo soube de quem se tratava. Aprendeu a ser gente. Zeca Pagodinho, "Maneiras". Promovendo Puerto Madero "Malandramente" Dennis MC.
O que dá dinheiro é coisa cara para gente rica.
Carlos Gardel, "El Choclo".
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